A A Honda lançou na última quarta-feira (11/3), em Manaus (AM), a primeira motocicleta flex produzida em série no mundo. É a CG 150 Titan Mix, que pode ser abastecida com álcool, gasolina ou a mistura dos dois combustíveis, em qualquer proporção.
Desenvolvida por engenheiros da Honda, em um trabalho que envolveu o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento do Japão, o modelo foi projetado especialmente para o Brasil, tendo como base a já conhecida CG 150 Titan. Para escolher o modelo que viraria flex, a Honda realizou pesquisas com consumidores. Descobriu que a maioria dos que já têm essa moto compraria uma versão bicombustível.
Durante o desenvolvimento, no entanto, a marca optou por não adotar pelo reservatório de partida a frio, o famoso tanquinho que existe nos carros, que permite ao motor pegar nos dias de temperatura mais baixa. Sendo assim, a Titan Mix necessita, nos dias em que a temperatura ambiente estiver abaixo dos 15ºC, de pelo menos 20% de gasolina no tanque. É dessa recomendação que foi inspirado o nome "Mix".
De resto as diferenças são muito próximas às dos carros flex: o uso de gasolina permite um funcionamento mais linear do motor, com autonomia maior, enquanto o álcool proporciona um aumento de potência, mas perde em autonomia. Com gasolina, a potência é de 14,2 cv (cavalos), com torque (força) de 1,32 kgfm; abastecida com álcool, esses valores sobem para 14,3 cv e 1,45 kgfm. O motor é OHC, quatro tempos, de 149,2 cm³ de cilindrada. Como nos automóveis, o reconhecimento do combustível é feito por um ECM (Engine Control Module, ou módulo de controle do motor), que define o programa de funcionamento.
Para adaptar a moto ao uso do álcool, houve várias modificações mecânicas: o bocal interno do tanque agora tem uma tela antichamas, para evitar a propagação de fogo de fora para dentro do tanque, o bico injetor permite maior vazão, enquanto o filtro de combustível secundário traz maior capacidade de retenção de sujeiras e evita o entupimento precoce da bomba, o gerador foi adequado para atender ao maior esforço provocado pela partida a frio, o tratamento interno do tanque e o potenciômetro do marcador de combustível foram alterados para funcionamento com álcool e, por fim, a bomba de combustível ganhou um tratamento interno para suportar o uso do álcool.
A nova motocicleta chega ao mercado em três versões: KS (com partida a pedal), por R$ 6.340, ES (partida elétrica), por R$ 6.890, e ESD (partida elétrica e freio dianteiro a disco com cáliper de dois pistões), por R$ 7.290. Há quatro opções de cor: preto, vermelho, prata metálica e azul metálica. A Honda espera comercializar 164 mil unidades neste ano. Interpress Motor acompanha o lançamento.